Bem Aventurado

Se todos os livros sagrados da Terra se perdesse e apenas o Sermão da Montanha permanecesse, nada teria se perdido.

Gandhi

imageConhecido como Sermão do monte ou da planície, nos evangelhos de Mateus e Lucas, estes são sem dúvida o coração do ensinamento, das boas novas.

Já mencionamos em outra postagem que a palavra Boa Nova, tradução de Evangelho, seu significado mais profundo e de maior compreensão é o “Ensinamento Novo”.

Preguiça de ler? Então ouça!

Embora o ensinamento não fosse novo, não era praticado. Isso porque o povo não tinha o entendimento, não conseguiam entender as diferenças de espiritual e material. O que não estivesse ligado a carne era por eles ignorado.

Não era burrice, mas ignorância dos preceitos dos Mandamentos. O medo da morte pela Lei era tamanha, que as observâncias da Lei era tão somente voltada a carne.

Preservação da vida, um instinto.

Yeshua entregou o ensinamento de duas formas, vivendo o ensinamento e com palavras.

Este é o princípio do despertar, viver para ter conhecimento de causa daquilo que ensina.

Pregar é repetir o que outros falaram sem ao menos comprovar por nós mesmos, ou seja, pregar é subjetivo e sem conhecimento.

O Amor é a vida e sem o qual, nada que se faça tem valor. Se torna um dogma e consequentemente, uma religião.

O Amor é a base das bem aventuranças e de todo o sermão da montanha. Ele acaba com os preceitos da Lei, cumprindo-os.

Assim são as bem aventuranças.

Precisamos compreender nas entrelinhas dos escritores do evangelhos o real de tudo o que desejaram escrever e transmitir, para isto vamos relembrar as regras de leitura:

“Quem escreveu, Para quem escreveu, porque escreveu e o que escreveu.”

Assim podemos mais facilmente compreender certos aspectos das leituras.

Yeshua, em várias passagens sobe ao monte para orar, e subir ao monte não está dizendo que ele subia em montes toda vez que deseja orar, podia estar em Jerusalém ou no monte que a ele isso era indiferente. Subir tem o mesmo contexto de elevar-se.

Elevar o pensamento ao Pai e orar.

Mateus define as bem aventuranças num sermão feito no monte: “jesus subiu a montanha e vendo toda aquela multidão, abriu sua boca e ensinou dizendo…”

Já Lucas inicia o Sermão após Yeshua (Jesus) descer do monte e encontrar a multidão numa planície: “E, descendo com eles, parou num lugar plano…”

A isto, muitos consideram confusão dos tradutores ou então erro dos escritores já que cada evangelho foi escrito em tempos diferentes, porém cabe aqui ressaltar que isto seria meio controverso, já que algo de tamanha importância não seria esquecido.

Alguns, como eu, entendem esta alteração por uma explicação simples, o Sermão do Monte, por Mateus, tem uma elevação espiritual pura e incontestável. Pura manifestação do Amor.

E Lucas, uma conotação humana e carnal. Aqui se faz e se paga.

Isso porque subir ao monte é se Enlevar ao Pai, e descer do monte é se manifestar na carne.

Segundo Huberto Rohden, “O Plantio é livre, escolhemos o que desejamos plantar, mas a Colheita é obrigatória, colhemos o que plantamos.”

Em Lucas observamos isto, que aquele que chora sorrirá, mas o que ri hoje, chorará amanhã.

Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus.
Bem-aventurados vós, que agora tendes fome, porque sereis fartos. Bem-aventurados vós, que agora chorais, porque haveis de rir.
Bem-aventurados sereis quando os homens vos odiarem e quando vos separarem, e vos injuriarem, e rejeitarem o vosso nome como mau, por causa do Filho do homem.
Folgai nesse dia, exultai; porque eis que é grande o vosso galardão no céu, pois assim faziam os seus pais aos profetas.
Mas ai de vós, ricos! porque já tendes a vossa consolação.
Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome. Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis.
Ai de vós quando todos os homens de vós disserem bem, porque assim faziam seus pais aos falsos profetas.
Lucas 6: 20 – 26

Claramente se refere a coisas mundanas, mesmo que o peso da culpa seja espiritual.

Em Mateus, o contrário se observa, Não imputação e castigos, abenas as bem aventuranças.

Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.
Exultai e alegrai-vos, porque é grande o vosso galardão nos céus; porque assim perseguiram os profetas que foram antes de vós.
Mateus 5: 3 – 12

Porém em ambos a resposta para ser Bem aventurado é a mesma. Amar ao teu próximo, sem esperar nada em troca.

Eu, porém, vos digo: Amai a vossos inimigos, bendizei os que vos maldizem, fazei bem aos que vos odeiam, e orai pelos que vos maltratam e vos perseguem; para que sejais filhos do vosso Pai que está nos céus;
Mateus 5:44

Mas a vós, que isto ouvis, digo: Amai a vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam;
Bendizei os que vos maldizem, e orai pelos que vos caluniam.
Lucas 6: 27 , 28

Quando fores ler, leia todo o sermão e é interessante ler os dois, de Mateus e Lucas, para que a compreensão seja melhor.

Mateus caps, 5, 6 ,7 e Lucas 6:17  até o fim.

imageToda o discurso de Yeshua é para fazermos a nossos próximos, aquilo que desejamos que nos seja feito. Com amor, que é o fruto que se deve plantar. Seja em carne ou em espírito, mas que seja feito com Amor verdadeiro.

É larga a porta que nos leva a perdição, e por isso não devemos agir como os Sacerdotes, que dizem uma coisa e fazem outra.

Os Sacerdotes, dentro do sistema religioso, dizem amar, mas não amam, dizem se doar aos fiéis, mas roubam e os fiéis que se doam ao Sacerdote.

Dizem ser por fé, mas confundem crer e fé.

Crer é fácil, mas conhecer é difícil. Buscar o Amor ao invés de templos é difícil e menos cômodo.

No Sermão, Yeshua diz que nossas obras devem ser grandes para serem vistas, isso não é demonstração, como os Sacerdotes fazem. Não é a falsa caridade feita pela igreja e seus sacerdotes, mas a pura e verdadeira caridade feita com Amor. A nossa obra deve ser vista para ser seguida e não demonstrada para ser admirada, cultuada e venerada.

Nossa obra deve ser o Amor ao próximo!

Temos que ser o Sal da Vida, quer dizer que nossa obra tem que ser verdadeira, tem que ser em Amor, tem que ter frutos. Se ela for apenas para ser visto, admirado e venerado, se a obra for apenas propaganda para tirar seu dinheiro ou para ter poder, para nada presta, e o sal perde seu sabor e é jogado e pisoteado pelos homens.

Por isso o Sermão do Monte é o coração do Evangelho, porque ele ensina que não basta se dizer uma pessoa de fé e crer, tem que ter obras e tais obras devem ser verdadeiras, em amor, por cada próximo e não apenas por aqueles que se encontram dentro das paredes rachadas de um templo de pedra.

Mas por aquele que nos aborrecem, que nos fazem mau, que nos insultam… assim como por aqueles que não conhecemos, que pedem, que não pedem… por nossa família, irmãos e parentes… pelos colegas, amigos e inimigos. Ricos e Pobres.

Sabendo que um dia poderemos estar na posição de qualquer um destes.

Postagens Relacionadas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *